quinta-feira, 26 de março de 2009

"Escrever deve ser uma necessidade, como o mar precisa das tempestades - é a isto que eu chamo respirar."

Anais Nïn

sábado, 21 de março de 2009

te busquei como se fosses o último. eras. és. o que fazer quando tudo nem começa e acaba como se fossem anos e anos de trepadas diárias, temerosas e insanas. insanos fomos nós acharmos que algum dia seríamos e estaríamos junto para sempre. eu não te odeio, afinal. você é meu amigo, mas tenho um coração e não sei o que fazer dele. estou esperando me morrer um pouco antes que eu possa dizer fim, adeus, nunca-mais.

"e toda essa merda educada que se diz quando o coração ficou inteiramente gelado."(c.f.a.)

sinto saudades do meu rei pernambucano. aparece, anjo barroco. tua ausência tem quebrado todos os ossos do meu coração.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

entrevista clarice l.

junio lemer: é mais difícil você se comunicar com o adulto ou com a criança?

clarice lispector: quando eu me comunico com criança, é fácil porque sou muito maternal. quando eu (me) comunico com adulto, na verdade estou me comunicando com o mais secreto de mim mesma. aí é dificil, né?

junio lemer: o adulto é sempre solitário?

clarice lispector: o adulto é triste e solitário, né?

junio lemer: e a criança?

clarice lispector: a criança... tem a fantasia... solta...

junior lemer: a partir de que ponto, de acordo com a escritora, oo ser humano vai se transformando em triste e solitário?

clarice lispector: (pausa longa) ... isso é segredo. (pausa longa) desculpa, eu não vou responder... a qualquer momento na vida, basta um... um choque um pouco inesperado... e isso acontece. mas eu não sou solitária não. tenho muito(s) amigos. e só tô triste hoje porquê eu tô cansada.

o pensamento lá em você

domingo, frio, cedo. rabisco algum fragmento de conto inacabado (assim como minha vida). relembro os livros interminados, os almoços deixados pela metade no prato. chove. a chuva conta e reconta suas moedas nas latas do quintal. um xícara de café bem forte (a terceira). espero o celular tocar e não toca. invento metáforas inóspitas e insossas. tomo um gole do café (já amornado pelo frio). tento criar coragem, mas só vem sono.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

fome estranha

quero falar sobre as nossas fomes. a minha, por exemplo. tenho fome de ter fome. definição crua e nua de uma fome inexplicável.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

com ana, blues

ana nasceu de mim depois de dois anos de gestação. embora pareça que foi a gestação de um elefante, ana tem a leveza do vôo nos ossos. mas: de que adianta que ela tenha nascido com tanta força brutal e faminta, se com essa mesma força minha mãe esteja morrendo.
por favor ana, morra!
mas deixa que ela que é meu chão, minha base, meu alicerce viva por mais alguns tempos. só te peço para que eu possa mostrá-la o quanto a amo e a quero viva. pedir pra deus? deus tá matando minha mãe: deus bom, ele não existe. ele é cruel, é vil, maquiavélico. deus é um estuprador de virgens. deus é uma farsa. e enquanto ele estiver matando meu coração, eu quero que ele vá se fuder.