quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

à beleza anoréxica de minha mãe

eu tinha tanto medo de saber que ela pode morrer. parabéns misturados com revelações. minha mãe é turbeculosa. dói muito saber que ela respira só com um pulmão meio ruinzinho e o outro lhe escapa em tenebrosas golpadas de sangue. tenho raiva de ser gordo. odeio ter carnes que lhes são escassas. odeio ter belos e fortes pulmões pulsantes de vida. odeio ter força e coragem enquanto a cara dela afunda e afunda no meio da caveira. eu a amo até os ossos. quando me pede massagens, as minhas lágrimas correm feito bichos que estavam presos em densas gaiolas. massageio sua coluna conseguindo contar perfeitamente suas vértebras. eu não estou preparado para uma possível morte na família.

é isso que eu chamo amor?

Guto:
Sob os augúrios de capricórneo...
Ai, o signo negro
O perscrutador de abismos

Desgraçada desgraça és
Fadado a ruminar surdinas
Enredar mistérios e tramas
De recôndidos universos
Longínquos

Desgraçado tu és
Pária entre (a)pú(á)tridos(as)
Varíola ante as vacinas
Terror por trás do medo
Miséria

Desgraça és
Traços, sarcasmo
Cores de escárnio
Em pinceladas
Ácidas

Graças
Ao
Bom
Deus

naah:
Jhonn, quem nos viu, quem nos vê, né? Quem diria que iríamos nos tornar amigos um dia? É, a vida dá muitas voltas... Muitas delas não nos trazem nada de bom, mas outras trazem-nos amigos, e em uma dessas voltas você se trouxe pra mim! Jhonn, eu vou sentir tanta falta de chegar no colégio e te dar um abraço, te chamar de puta, cantar contigo, não entender teu inglês, entender quando você tá estressado, assim como me entendes também, conversar horas sobre besteiras, pegar livros emprestados, ler contos, expor ideias, comentar autores, livros, musicas e filmes... Gente, vou sentir sua falta! E é por isso que eu venho aqui hoje, faltando exatamente 27 minutos para o seu aniversário, desejar que você tenha um ótimo dia, e dizer mais uma vez o mais belo e verdadeiro clichê (contraditório, né?) de todos os tempos: Eu amo você.

sábado, 13 de dezembro de 2008

sábado, 13 de dezembro de 2008


exatamente 31 dias para os meus 18 anos.

solitude

Vejo a rua vazia e ela me parece tão resignada. Na verdade, nada vejo. Tirando o som que produz o senhor de roupas pretas com uma pá. Arranca a areia de sua calçada como se fosse um menino que brinca na praia e faz seu reino e não teme que faça barulho algum por que ele próprio nada ouve. Mas, enfim: se não fosse esse barulho, dava-se até para ouvir alguns pardais cantando, se é que pardais cantam.

O senhor que mora em frente à casa de minha tia de vez em quando ele abria a janela, eu não poderia dizer exatamente de quanto em quanto tempo ele abria a janela e, possivelmente só em cuecas, saía à janela como um relógio cuco e olhava a rua. Cinco minutos talvez fosse seu intervalo, tempo para por água para ferver para um café que ele não terminaria ou erraria no açúcar, ou arrumar alguma coisa que na verdade estivaria intacta e inerte. Ele estava só nesse mundo.

Batera na mulher depois de um porre (ou dentro dele) e ela, em contrapartida, foi embora para sempre, levando consigo seus filhos. (Isso eu soube por vizinhos, é bom não espalhar nem confiar muito, os vizinhos daqui tendem a aumentar o que ouvem.)

Voltando a ele: falta-lhe, pois, alguma coisa que distraia da angústia da solidão e do eco da voz dele na casa, um homem sem mulher e filhos é como uma ovelha que se perdeu do rebanho nas montanhas. Um homem sem mulher é um menino sem mãe (sendo também que a mãe deste homem vive no Maranhão, o que é muito longe para os bolsos dele) e um homem sem filhos é como um menino sem brinquedos que ele possa decidir-lhes o futuro. Ausenta, portanto alguém que lhe regre a vida e alguém para que ele possa regrar a vida (ou as vidas, caso tiver mais de um filho/brinquedo). Pois, sem outra opção, ele passa a maior parte do tempo livre a observar a rua. A rua vazia que parece ser tão resignada.



[esse texto foi publicado no jornal O Povo em 27 de dezembro de 2008] [Confira!]

confissão

eu nunca tive alguém que me contasse estórias para dormir. trauma infantil. algumas vezes meus sonos eram tão demorados a chegar e não me restava outra opção senão ler estórias para eu mesmo dormir.
(foi numa noite dessas que me apaixonei por Clarice).
não me restava nada, eu já estava até acostumando a ser assim triste e solitário. foi quando eu encontrei o disco de Aracy Balabanian em que ela narra as pseudocrônicas de Lispector. fiquei boba. desde então, tenho uma das mais belas vozes do Brasil lendo-me uma das mais genial escritoras do Brasil. Acho que merecíamos alguém (que não o Cid Moreira), lendo Caio Fernando Abreu. eu acho justo.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008


that's it. there's no way: it's over...
good luck! (to us)
sei que ando meio sumido. mas é que estou explodindo de tanta criação que minha vida se tornou um caos de contos e crônicas. publicarei algumas aqui em breve, juro.